Nada como um pesadelo ao estilo Tarantino logo após o almoço para te preparar para mais uma sessão no Limbo. Com um assaltante absurdamente cruel e umas cenas épicas de luta, daquelas em que dá tempo para organizar um bolão para apostar em quem vi ganhar. Sangue! Crianças em triciclos, carregando bazucas e acionando mísseis para perseguir o "japonezinho". Fuga! E, em uma dessas fugas, duas putas, tia e sobrinha que visitavam uma construção no meio da Avenida Comercial, em Taguatinga... e, caralho, como eram feias... !
Mas, antes de acordar, good news, era apenas uma pegadinha...
Lá estava eu, sentado à frente do computador com minha SG desregulada em mãos, após mais um dia gasto no Limbo. Liguei minha TV e deixei no primeiro canal que deu sinal. Um programa protagonizado por David Duchovny mostrava algumas belas imagens do Inferno. Não saberia dizer onde era, mas imaginei que eventualmente o encontraria se a minha primeira namorada tivesse sido uma escorpiana fissurada por música eletrônica, ao invés de uma católica neurótica com problemas com o pai. Ou, talvez, se minha primeira vez tivesse sido sem camisinha. Clichê, porém vendável... Após essa breve sessão de auto-piedade à beira da cama, pergunto: Seria tarde demais para aceitar aquela pílula azul?
"Eu não gosto de você", disse ele, provocando o ápice da conversa daquela noite. "Quando você diz a alguém que a ama, o que transparece é apenas o seu afeto por esse sentimento ao qual arbitrariamente denomina um objeto". Então, despejou um discurso inspirado sobre a pretensa virtude humana do amor, esperando que seus esforços de expulsá-la a atraíssem. O ser humano é pervetido, cria ele, o que tornava aquela lógica plausível.
Agora, volta a escrever, suspenso desde o dia da despedida. Meio com um ar de final, de saudade...
terça-feira, 5 de maio de 2009
O medo que eu sinto é o mesmo que o seu. E, por isso, acredito que quando um se for, o outro também sumirá.
Não me leve a mal. Eu me sinto só, às vezes. É só um hábito que eu tenho. Como quando brigo com meus amigos. Ou quando as pessoas não riem das minhas piadas. Ou se esqueço de algo importante. Ou quando você não responde minha ligação. Se quero sair, mas não posso. Quando ando no mesmo lugar de ontem, ou anteontem. Quando espero, em vão, sua sinceridade. Quando fico preso no trabalho. Ou como naquela vez que disse que te amava...